Terça-feira, 20 de Abril de 2010

Religião

Aviso desde já que este é um tema que resulta sempre em grandes e bastantes acreditados argumentos da minha parte. Sou bastante sensível a este tema (como a muitos outros), o que vos pode aborrecer a meio do discurso, mas vou tentar não me alongar demasiado.


Sou baptizada e fiz a primeira comunhão, depois desisti porque andar na catequese era uma seca e não tinha lá amigos nenhuns. Isto é sempre uma boa razão para qualquer criança de 7 ou 8 anos e os meus pais também não viram grande mal na minha desistencia (apesar dos apelos da minha avó de que devia completar o meu caminho cristão, ou lá o que lhe chamam!).

Ainda antes disso, quando tinha idade para acreditar que a missa podia ser algo realmente divertido, deixei-me enganar e cheguei a assistir a várias com os meus avós (quem mais?).

Agora, já com uma certa idade, pus-me a pensar se realmente sou católica, se realmente acredito nisto que eles pregam.. Cheguei à conclusão que não, para muita tristeza a minha mãe (que apesar de não ser praticante, acredita e acha uma pena eu não acreditar também), uma certa reacção do meu pai que não consegui bem descodificar (ele nem ficou surpreso, nem desiludido, nem indiferente.. no fundo acho que ele já me conhece bem e já esperava este tipo de coisas vindas de mim), e uma reacção da minha avó que ninguém quer descobrir (por isso os restantes membros da familia me dão pontapés debaixo da mesa sempre que estou prestes a abrir a boica para responder a comentarios religiosos da avó).

Não é que não acredite em Deus, ou num deus, numa entidade superior, de alguma força superior a todos nós.. Na verdade ainda não descobri bem naquilo que acredito. Sei no entanto que não acredito no deus da igreja católica e em nada do que ela prega. Além de achar escandaloso o modo como vivem (apesar do que pregam) e abominar as suas atitudes.

Foi precisamente esta igreja que converteu o papel da mulher na sociedade a uma postura submissa e de baixa importância.
É esta igreja que escolheu os documentos da sua fundação e renega todos os outros como falsificações e tentativas de fora de destruição da igreja.
Foi este papa que foi a África dizer que o uso de preservativos não é a solução para reduzir os casos emergentes de sida.
E foram estes padres que andaram a mobilizar meio mundo contra o casamento homossexual.

E pergunto-me eu agora, que legitimidade têm eles para isto? Porque será que as pessoas não abrem os olhos?
Que têm o raio (para não utilizar palavrões) dos padres a ver se uma pessoa se quiser juntar a outra do mesmo sexo e queiram ambas fazer parte dos testamentos uma da outra?

Não vos enerva este tipo de atitudes?

4 comentários:

  1. Tenho algumas dúvidas quando diz que a Igreja é responsável pelo papel submisso da mulher na sociedade. Aliás, qualquer aula de história lhe prova o contrário. O papel submisso esteve quase sempre presente bem antes da existência da Igreja.

    Quanto aos homossexuais e aos preservativos, a Igreja apenas tem uma opinião, que é livre de ter, assim como qualquer outra pessoa ou instituição. Cada um não tem mais que concordar ou discordar.

    No que diz respeito à escolha de documentos, houve essa escolha quando a Bíblia foi criada. É verdade. Mas nunca vi nada a dizer que outros documentos eram falsificações (a não ser quando eram mesmo).

    A Igreja pode ter muitos defeitos, mas o facto de não concordar com as suas posições/opiniões, não faz delas erradas per se.

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  2. Bem antes da existência da Igreja havia várias posições para a mulher consoante o povo e a cultura de que se tratava, sendo que na maior parte delas a mulher tinha grande destaque. Apenas com a igreja católica se generalizou o papel da mulher submissa, e isto também qualquer aula de história lhe pode dizer.

    Tal como a Igreja é livre de ter a opinião em relação a homossexuais e preservativos eu também sou livre de discordar e criticar. E considero que virem dizer que os preservativos não ajudam na luta contra a sida é de uma hipocrisia que não aceito.

    Quanto aos documentos já muito se falou deste assunto, basta fazer uma busca rápida no google que logo encontra o que refiro. E se prefere acreditar que são realmente falsificações é a sua opinião, não a minha.

    Se ler bem o post eu não estou a dizer que as suas posições são erradas per se, é um artigo de opinião e a minha opinião é que elas são erradas. Se não concorda é consigo, mas não se pode sentir ofendido com a minha opinião.

    Obrigada pelo comentário.

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  3. Não sei de que maioria de povos é que fala, mas posições importantes dentro de grande parte das culturas foram "sempre" ocupadas por homens, isto antes da existência da Igreja. Aliás, se estivermos atentos, a mulher até tem um papel especial na Igreja.

    Eu não questionei a sua discordância em relação à opinião da Igreja. Critico é você questionar a legitimidade dela ter a sua opinião, que é livre de a ter. A Igreja não diz que os preservativos não ajudam na luta contra a sida, apenas diz que unicamente a distribuição do preservativo não o faz. É preciso incutir educação sexual e responsabilidade. E isso não é feito. Distribuir preservativos e fingir que fica tudo bem não é solução. Especialmente quando não é um método infalível.

    Eu não "prefiro" acreditar. Se está a colocar isso em causa, está a implicar que a credibilidade desses documentos é duvidosa. Não é uma questão de acreditar quando estamos a falar de factos. Se são falsificados, são. Se não o são, não o são. Se não se sabe, aí sim, é uma questão de acreditar. Mas aí nem eu nem você está mais correcto.

    Eu não me senti ofendido com a sua opinião. Apenas decidi mostrar o outro ponto de vista e esclarecer certos pontos. Não nos podemos guiar por títulos de manchete (não digo que o costuma fazer). ;)

    Cumprimentos

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  4. As posições importantes não eram atribuídas na sua maior parte aos homens pois consideravam-se como posições importante por exemplo a posição de matriarca. O único papel especial da mulher na Igreja é o de parideira.


    Mas eu não questiono a legitimidade de a Igreja ter a sua opinião, eu meramente discordo e critico. Achar que é ridícula não quer dizer que ache que não tenha direito à sua opinião. No entanto os nazis também tinham uma opinião diferente, mas não foi apenas por opinarem que não foram condenados, foi por executarem as suas opiniões erradas.
    Mas isto já são pontos de vista..

    Então se forem incutidas uma boa educação sexual e responsabilidade a Igreja passa a permitir o uso do preservativo? Não me parece, isso é um dogma para Igreja que me parece bem longe de ser ultrapassado.

    E quem lhe garante a si que os documentos são verdadeiros ou falsos consoante os que eles dizem? Pode acreditar que eles dizem a verdade ou não, é quanto a isso que a minha opinião diverge. É claro que não se pode argumentar com a veracidade ou falsidade de um documento, mas posso argumentar com quem diz que é falso ou verdadeiro se não acreditar no que diz.

    Eu não me guio por títulos de manchete, sou uma pessoa bastante informada e tenho uma opinião pensada sobre alguns assuntos, sendo este um deles. E é mesmo isto que este artigo era, uma opinião, sem ser um lado ou outro da questão, é apenas o meu modo de ver as coisas que para mim está certo. Para si parece não estar e tem todo o direito de discordar e dar a sua opinião (que agradeço) e mostrar o seu lado da questão.

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