Morreu José Saramago.
Não era este o tema que tinha pensado para o próximo post a inaugurar a nova face do blog, mas as circunstâncias impuseram-se desta forma e achei assim a minha inspiração para escrever hoje.
That said, devo dizer que a pessoa do Saramago não me causava nenhuma simpatia, a sua arrogancia não me agradava minimamente.
Tinha uma forma de escrever muito peculiar, daqueles que ou se ama ou se odeia. Eu faço parte das pessoas que optam pela segunda escolha.
No entanto, para lá das suas características enquanto pessoa e da sua forma de se expressar, Saramago tinha uma mente brilhante. E revejo-me em grande parte das suas criticas e argumentos.
Talvez não de forma tão radical em alguns, pelo menos por enquanto. Mas hoje, quando fazia uma pequena pesquisa sobre ele e a sua obra é que percebi o quanto concordo com ele.
Era um homem que não tinha qualquer problema em estar contra o mundo, ou melhor, que o mundo estivesse contra ele. Dizia o que tinha a dizer e aguentava as consequências.
Apercebi-me de que corro o risco de vir a ficar tão radical como ele, e de um dia ter de aguentar o mundo contra mim.
A sua contenda com a Igreja Católica toda a gente conhece, e acho brilhante a frase que disse numa entrevista quanto ao assunto:
"[a]s insolências reaccionárias da Igreja Católica precisam de ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder".
Isto vai de encontro a umas ideias que me surgiram desde há umas semanas, que ainda não me decidi por partilhar por serem bastante extremistas.
A ideia do fascismo por parte da igreja está posta de maneira notável.
Mas não só nesta matéria concordávamos. Correndo o risco de ser mal interpretada, devo dizer que concordo de certo modo com a citação em relação aos judeus ("os Judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o holocausto… Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós").
É bastante forte, mas entendo no sentido em que foi dita e não com sensionalismos baratos, tem uma certa razão.
Não me querendo alongar mais, há que dizer ainda que, apesar de muitos não o considerarem português por causa das ideias que defendeu em relação a uma união a Espanha (ideias que também já defendi no passado e que por razões que não interessam agora ao caso deixem, mas sem nunca recusar totalmente o conceito), acho que se perde umas das grandes mentes do nosso tempo. Uma mente que propulsionou um abalar de muitas outras. Uma influencia na nossa cultura, claramente.
Resta-me desejar que isto faça alguém pensar, porque me fez pensar a mim e beneficiou em muito algumas das minhas ideias.
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